RPG na Ludoteca Resistência


Tudo começou em meados de 2014 quando eu levei para a Ludoteca Resistência o primeiro RPG. Era a lata do Shotgun Diaries, publicado no Brasil pela Redbox Editora.
Um RPG de sobrevivência ao apocalipse zumbi. Mais do que isso, um RPG de ritmo frenético e regras simples, que permitem que os jogadores narrem algumas das cenas. A principal razão pela escolha do título foi a facilidade com que se prepara suas aventuras. Em alguns casos, dispensa-se qualquer preparo, podendo criar tudo na hora, junto com os jogadores.
O resultado: mais de dez adolescentes entre 12 e 15 anos tendo sua primeira experiência com o RPG. Todos eles ficaram impressionados com as possibilidades que o jogo trazia. Todos eles pediam para que o jogo voltasse as mesas da Ludoteca todas as semanas. Isso não foi possível, é claro.
Na época, eu era o único monitor do projeto que sabia como conduzir uma mesa de RPG, o que tornou inviável para mim mestrar todas as semanas, já que eu precisava monitorar as demais mesas do projeto respondendo as dúvidas dos jogadores sobre mais de quinze jogos diferentes.
Depois disso, tivemos algumas oportunidades de jogar novamente, dessa vez utilizando o Old Dragon, também da Redbox Editora. Ele possui uma possibilidade maior de criação de personagens, o que deixou os jogadores ainda mais fascinados.
Tudo mudou com entrada de um amigo meu no projeto. Um velho companheiro de mesas de RPG resolveu se juntar ao time, se voluntariando todas as semanas. Mestrou algumas aventuras, todos tiveram a oportunidade de experimentar o RPG. Alguns revisitavam o jogo, outros finalmente o conheciam. Foi então que ele me apareceu com a ideia: "E se a gente fizesse algo frequente. Inspirado na Adventure's League do D&D?". Assim nascia a IRMANDADE

Emerson mestrando a primeira mesa da IRMANDADE.
Juntamos todos os adolescentes do projeto (e alguns monitores também) interessados em embarcar em sua primeira campanha de RPG, onde seus personagens se tornariam heróis do cenário, podendo influenciar na história da maneira que quisessem. Ao todo quinze jogadores, divididos em quatro mesas. Eu assumi duas delas e meu companheiro de projeto cuidou das outras duas. Todos os meses reunimos nossos jogadores ao menos uma vez para seguir com a campanha. Todas as mesas se passam no mesmo cenário criado por nós mesmos para utilizar no projeto.

Adotamos miniaturas de papel: uma solução barata para incrementar todas as mesas.
Agora, os jogadores precisam criar seus personagens, escrever os backgrounds e interpretar sem o "off". Além disso, nos valemos de uma das características mais marcantes dos RPG old school: as aventuras são mortais. Se o time não trabalhar em equipe, alguém irá perder o personagem.
É impressionante assistir alguns jogadores mais tímidos, que não costumam conversar com ninguém, se soltando nas mesas e interpretando seus personagens como verdadeiros guerreiros. Mais impressionante ainda é a criatividade empregada nos backgrounds de cada personagem. Todos eles foram escritos sem a ajuda dos monitores. Alguns ficaram tão bacanas que serão incorporados oficialmente em nosso cenário.
Com as mesas de Old Dragon, estamos enxergando nos adolescentes os benefícios que todo jogador de RPG sempre conheceu bem: criatividade, interação, trabalho em equipe, socialização, etc.

Hora do combate!
Tudo começou com um sonho:  o RPG não precisa, mas PODE se tornar uma ferramenta de mudança social. Temos visto isso acontecer na prática todos os meses em um bairro humilde de Piraquara-PR.
Aos companheiros que moram nos entornos fica o convite: precisamos de mais mestres que se disponham a nos ajudar. Aos demais fica o pedido: ajudem esse relato a se espalhar entre os RPGistas de todo o Brasil. Qualquer hobby pode ser usado para o bem, basta ter um pouco de criatividade, que é o que todo jogador e mestre de RPG tem de sobra.
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